Técnicas artesanais aliam tradição ao design contemporâneo

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O grupo Natural Cotton Color — NCC Ecobrands desenvolve um trabalho com DNA brasileiro, onde técnicas artesanais associadas ao design  geram uma ponte entre a Cultura e a Economia Criativa.

Entre as motivações deste grupo de Moda, está o uso do Artesanato – que faz parte do patrimônio cultural brasileiro, com inovação no design e no uso de novos materiais. A estilista Francisca Vieira explica: “a base da criação é o uso de fios e tecidos de fibras naturais como o algodão colorido orgânico e a seda ecológica”, diz. Entre as técnicas artesanais usadas estão a renda Renascença, a renda Frivolitê, a renda Tenerife, a Rede de Pesca, a renda Filé, além do Macramê, do Crochê e também do Capitonê.

Para a estilista, a renda Renascença é uma das mais bonitas do Brasil. A produção é forte na Paraíba. Em 2013, a renda do Cariri paraibano recebeu até o Selo de Indicação Geográfica (IG). A renda Renascença está inserida na categoria “renda de agulha” e possui diversos pontos.

Há mais de uma década, o grupo Natural Cotton Color insere a renda renascença em suas coleções:  em roupas e acessórios como bolsas e calçados.

Renda Renascenca Renaissance Lace NCC Ecobrands


A renda Renascença é a preferida. Está em várias coleções, desde a criação da marca Natural Cotton Color, há 15 anos.

A renda Frivolité já esteve ameaçada de desaparecer, mas a produção foi retomada e já existe uma lei tramitando no congresso para que se torne Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, sobretudo pela produção realizada no município de Orobó. Feita com pequenos nós com fio de  linha de algodão, esta renda é trabalhado com “navete”. Tem somente um ponto básico em formato circular. A cada nó apertado surge um belo e novo desenho.

Frivolite NCC Ecobrands

Frivolitê: em 2011 usamos em alguns vestidos. A técnica deve ser tombada como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, Nordeste do Brasil.

A produção da renda Filé, tombada como patrimônio imaterial do estado de Alagoas, é produzida em outras regiões do Nordeste. A renda Filé da Natural Cotton Color é feita em Orós, no Ceará. A produção exige duas etapas: a confecção de uma rede de pesca de fios de algodão e, sobre esta malha, o preenchimento com variadas combinações de pontos.

Renda Filé NCC Ecobrands


A renda Filé é tombada como patrimônio imaterial do estado de Alagoas, região Nordeste do Brasil.

A renda Tenerife, também conhecida como Nhanduti ou Renda Sol tem origem no Paraguai, pois trata-se de uma derivação do bordado “rosas de Tenerife”, da Espanha. É feita com um disco circular onde se executam os nós com pontos guipir. A produção ainda é bem limitada no Brasil, mas há um esforço em resgatar a técnica no Sudeste. Há até um museu virtual colaborativo em Atibaia, interior de São Paulo, dedicado à renda Tenerife.

Tenerife NCC Ecobrands


A renda Tenerife também é feita com um disco circular onde se executam os nós com pontos guipir.

A Rede de pesca é uma volta às origens da própria renda. Segundo estudos, foi da rede de pesca que surgiram todas as rendas artesanais — mesmo as mais sofisticadas, todas criadas em regiões litorâneas da Europa. (contaremos detalhes disso em outro post). A ideia de inserir a  Rede de Pesca em alguns vestidos começou com o designer do grupo Romero Sousa que usou como inspiração a rede de tarrafa em uma coleção de bolsas da Comparoni. A estilista Francisca pediu para um pescador desenvolver a rede, substituindo o nylon por  tirinhas de malha de algodão colorido orgânico. Desta forma, criou um produto delicado e contemporâneo usado nas peças da Natural Cotton Color.

Rede de Pesca NCC Ecobrands

Rede de pesca: inspirada na tarrafa do pescador, substituímos o nylon por fios de algodão colorido orgânico.

No caso do Macramê — técnica de tecer fios cruzando fios com os dedos – o grupo tem investido em seduzir o olhar recriando os trançados com nós que mesclam o ponto básico nó duplo com o ponto festonê.

Macrame Organic Cotton Corlor


O Macramê é feito com os dedos e tem dois pontos básicos: o nó duplo e o ponto festonê

Já o Crochê, feito com agulha em forma de gancho, faz parte do acervo de técnicas usadas nas produções do Grupo Natural Cotton Color, sempre com fios de algodão colorido orgânico ou seda.

Crochê NCC Ecobrands

Crochê faz parte do acervo de técnicas usadas nas produções em varias coleções.

O Capitonê, técnica de origem inglesa, também está no acervo do grupo Natural Cotton Color. Nela, o tecido é dividido por pontos feitos com fios que formam saliências quadradas ou retangulares. As depressões geram um volume e uma textura de estética surpreendente.

Capitone NCC Ecobrands


O Capitonê, referência de estofados do século XIX e dos anos 50 e 60 – entra na Moda, pelo tecido de algodão colorido orgânico.

Para Francisca, o valor do artesanato tradicional com inovação por meio do design e novos materiais traz encantamento. O resultado empolga sempre: “O capitonê, referência dos estofados do século XIX — redesenhados nos anos 50 e 60 – migra para as roupas e acessórios. Esta pitada do design clássico, revisitado na nossa Moda sustentável, traz sofisticação e atemporalidade. Adoramos isso”, conclui a CEO da marca Natural Cotton Color.

Saiba mais sobre tipologias de artesanato neste link.

ATUALIZAÇÃO: Nosso leitor Danilo alerta que William Moura criou o primeiro vestido com algodão colorido com a técnica de capitonê em 2013. Com esta proposta ele venceu o Fashion Tech — concurso novos designers — realizado pela Estação da Moda, iniciativa da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secitec) de João Pessoa. O vestido de capitonê da Natural Cotton Color foi proposto por Romero Sousa — contratado pela marca para criar a coleção em 2015.

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7 Comments on “Técnicas artesanais aliam tradição ao design contemporâneo

  1. Parabéns pelo belíssimo trabalho!.
    Resultados que com certeza devem incentivar, estimular e fortalecer a todos aqueles que fazem do Nordeste uma região produtiva e criativa, em especial aos nossos agricultores e artesãos, os principais sujeitos que trabalham com o nosso algodão orgânico colorido.

    Um grande abraço e muito sucesso!
    Nair

  2. Pingback: Natural Cotton Color vai participar da Maison D'Exceptions, em Paris - NCC Ecobrands

  3. O resultado das peças estão lindos, porém, é uma pena ver que a ideia do estilista Willer Moura, de João Pessoa, ganhador do CONCURSO FASHIONTECH do ano de 2013, realizado na referida cidade, tenha sido usada e nome dele se quer tenha sido mencionado uma única vez! Só pra fundamentar um pouco, o mesmo levou o prêmio de 1° lugar com uma coleção cuja proposta era ser produzida totalmente em algodão colorido e usar EXATAMENTE o capitonê como a principal técnica artesanal em sua coleção! A prova disso é que o vestido que aparece na foto é uma cópia fiel de um dos looks que ele apresentou!

    • Olá Danilo, quem responde a sua questão é Francisca Vieira, CEO da Natural Cotton Color:

      Eu nunca acompanhei o Concurso Fashiontec realizado pela Estação da Moda, em João Pessoa. A ideia do vestido da coleção Natural Cotton Color nasceu em 2014, durante a Biofach, na Alemanha, quando vi a coleção da Santa Luzia Redes e Decoração, também da Paraíba. Somos parceiros no algodão colorido e em projetos como o desfile de João Pimenta, na SPFW.

      Na ocasião, a Santa Luzia lançava uma coleção criada por Romero Sousa e o capitonê e o bordado me chamaram a atenção. Imediatamente, eu disse para Romero (consultor da Natural Cotton Color desde 2011) que queria inserir o capitonê na coleção Cápsula da Natural Cotton Color. Ou seja, a ideia do vestido da Natural Cotton Color nasceu lá, durante o evento. Pensei: apesar do capitonê ser um adorno clássico em móveis e decoração, usar a técnica em roupas é uma ideia inovadora.

      Somente a partir da sua mensagem é que eu soube do trabalho de William Moura. Ou seja, concluo que tivemos a mesma ideia, mas ele pensou nisso bem antes. Eu fiz um vestido A e ele fez um tubinho, mas vi o vestido de William Moura pela primeira vez hoje, ao pesquisar motivada por este alerta. Saiba que eu tenho o croqui assinado pelo consultor Romero Sousa. O nosso consultor nunca mencionou a presença de peça semelhante nem em desfile, nem em concurso. No entanto, acho justo que o crédito seja do idealizador e, portanto, vamos citar William Moura toda vez que apresentarmos este vestido.

      Por fim, Danilo, gostaria de agradecer o alerta. Nossas duas Coleções Cápsula são públicas. Estão na internet e na mídia. Estou à disposição para qualquer esclarecimento. A todos que acompanham nosso trabalho: se souberem de alguma outra fonte de inspiração que não foi citada, por favor, nos avisem. Sempre fizemos questão de citar os designer envolvidos com a marca”. Um abraço. Meu email: franciscagvieira@hotmail.com

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