Algodão: convencional, orgânico e BCI. Qual a diferença?

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Natural, vegetal e biodegradável, o algodão é uma matéria-prima que cumpre um importante papel na Economia agrária e industrial. A fibra é fundamental para a indústria têxtil e de confecção, no entanto, há um consenso de que o impacto ambiental é insustentável, entre eles, o uso intenso da água. Para se ter uma ideia, são consumidos entre 7000 e 29000 litros de água para produzir cada quilo de fibra. Desta forma, gera riqueza, mas a um custo inviável.

A pressão trazida pela mudança do clima levou as grandes marcas globais de moda a assinarem o Pacto do Algodão Sustentável 2025. No documento, estas marcas se comprometem a usar apenas algodão sustentável em seus produtos até 2025. Saiba como reconhecer os três tipos de práticas de cultivo de algodão

Algodão orgânico

O cultivo de algodão orgânico é feito sem o uso de pesticidas sintéticos e fertilizantes químicos.

O algodão orgânico pode ser branco ou colorido, mas a semente não pode ser transgênica.

Os únicos aditivos vêm na forma de adubos naturais, enquanto a qualidade do solo é controlada pela rotação de culturas. Não há impacto ambiental. O algodão produzido desta forma é limpo e seguro, criando um ciclo agrário sustentável.

>>> Algodão colorido

Algumas variedades de algodão já existiam com colorações na natureza. A maioria delas, porém, tinha fibras curtas e não havia condições de fiar. No Brasil, as cultivares de algodão colorido nas cores bege, marrom e verde foram obtidas por processos de melhoramento genético para alongar a fibra.

As pesquisas ao longo de 20 anos na Embrapa Algodão envolveram seleção e cruzamento de algodão da espécie colorida com o algodão branco local. Como o cruzamento é entre diferentes espécies de algodão, ele não é transgênico.

Com a fase de tingimento eliminada, evita-se a poluição de rios e córregos com resíduos de tintas. Além disso, como é cultivado sem irrigação, a economia de água é de 87,5% — comprada a uma peça acabada e tingida pela indústria.

O algodão colorido pode ser cultivado de forma orgânica ou não, mas o algodão proveniente da Paraíba é orgânico. Por isso, as estatísticas apontam que mais da metade do algodão orgânico produzido no Brasil vem da Paraíba, em forma de algodão colorido — cultivado sem agrotóxicos, sem aditivos ou corantes.

Algodão convencional

A produtividade do algodão convencional no Brasil depende de muita água, de altas doses de fertilizantes e pesticidas para controlar insetos, pragas, ervas daninhas e aditivos químicos reguladores de crescimento.

O impacto ambiental do algodão convencional é imenso. A contaminação do solo vai até o lençol freático, que carrega estes elementos tóxicos para os rios que abastecem as cidades.

No Brasil, 94% do algodão convencional é trangênico. A técnica usada pelos cientistas para formar as sementes transgênicas é chamada de “engenharia genética”.  Isso envolve a manipulação dos genes. A transgenia significa utilizar cruzamentos artificiais, feitos em laboratórios, para inserir genes de uma espécie (como uma planta, por exemplo) em outra espécie (planta ou animal).

A semente transgênica é patenteada. Somente a Bayer (ex-Monsanto) é dona de 88% das sementes patenteadas no mundo todo. Isso obriga o agricultor a pagar royalties. A empresa, dona da patente da semente, proíbe que o agricultor guarde sementes. Se o agricultor fizer isso pode ser processado pela empresa.

Better Cotton Initiative (BCI)

Não é um tipo de algodão. É um método de cultivo que permite produção em grande escala. Silvio Moraes, representante da Textile Exchange na América Latina, explica: “O algodão BCI é o que podemos chamar de menos ruim, por ter uma certificação de mínimas condições, como não uso de trabalho em condições degradantes, assim como utilização de equipamentos de proteção, mas ainda com práticas de produção de um modelo industrial”.

As sementes do BCI ainda são transgênicas, o que a Textile Exchange e outras organizações associam à necessidade de maior uso de substância química, entre elas o glifosato, e à necessidade de uma produção em larga escala, impossível a pequenos produtores.

A medotologia BCI analisa os impactos ambientais potenciais ao longo da vida de um produto, desde a extração da matéria-prima até a destinação final. No entanto, as culturas no Brasil, Índia, Mali e Paquistão é geneticamente modificado (transgênico).

Sobre o algodão colorido orgânico da Natural Cotton Color

agricultor colhe algodão colorido organico

O algodão colorido já com as cores bege, marrom e verde.

A Natural Cotton Color vem contribuindo para compartilhar informação sobre a cadeia produtiva do algodão naturalmente colorido da Paraíba. Um trabalho que nasce da investigação científica de uma empresa pública – a Embrapa Algodão e se desenvolve no campo por meio da assistência da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S.A. – Empaer.

O nosso algodão colorido orgânico é produzido em sistema de agricultura familiar, sem produtos químicos e sem irrigação em dois assentamentos rurais. A pluma do algodão tem certificação de produto orgânico Ecocert.

A Fazenda Campos, em Salgado de São Feliz e o Assentamento Margarida Maria Alves, em Juarez Távora produzem algodão colorido por meio de contrato de compra garantida. O preço pago por quilo é o maior do Brasil.

A Natural Cotton Color é membro do Comitê Gestor do Arranjo Produtivo Local  (APL) de Confecções e Artefatos de Algodão Colorido do Estado da Paraíba.

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